top of page

ELEIÇÕES DE 2026 NO TOCANTINS: ENTRE CONTINUIDADES, RUPTURAS E A POLÍTICA DA SUCESSÃO

Gustavo Paravizo¹


O Tocantins é um dos estados mais jovens do mapa brasileiro ao lado do Amapá e de Roraima. Criada pela Constituição de 1988, a partir do desmembramento do norte de Goiás, a unidade federativa realizou sua primeira eleição ainda naquele ano e foi instalada em 1989. Com cerca de 1,18 milhão de eleitores, é também um dos menores colégios eleitorais do país. Em menos de quatro décadas, a disputa pelo Palácio Araguaia se organizou em torno de um número reduzido de lideranças: entre 1988 e 2014, sete das oito eleições para governador foram vencidas por apenas dois políticos, José Wilson Siqueira Campos e Marcelo Miranda. A única exceção no período foi Moisés Avelino, eleito em 1990.


Esse arranjo perdeu centralidade a partir de 2018, quando Mauro Carlesse, então presidente da Assembleia Legislativa do Tocantins (ALETO) venceu a eleição suplementar e, meses depois, a eleição regular, com 57,35% dos votos válidos. Seu vice, Wanderlei Barbosa, chegou ao governo em 2021 e conquistou mandato próprio em 2022, no primeiro turno, com 58,17% dos votos válidos.


A passagem do eixo Siqueira-Miranda para o eixo Carlesse-Barbosa não significou, contudo, a substituição das antigas elites locais. Apesar de sua curta história de competição, o Tocantins já reúne ciclos de poder bastante definidos, marcados pela permanência de lideranças e famílias políticas, pela circulação de grupos e pela recomposição frequente de alianças. Boa parte dessa recomposição passou por mandatos interrompidos: cassações, renúncias e afastamentos levaram ao Palácio Araguaia nomes que não haviam vencido a eleição. 


É nesse contexto que se organiza a eleição deste ano, com sete candidaturas ao governo e a competição concentrada, segundo as pesquisas, em três nomes: Professora Dorinha (União Brasil), Vicentinho Júnior (PSDB) e Laurez Moreira (PSD). Essa combinação entre permanência e ruptura orienta a leitura proposta a seguir.


Personalização e construção familiar da política do estado


A centralidade de Siqueira Campos não pode ser explicada apenas pelo número de eleições que venceu. Sua trajetória se confundiu, em larga medida, com a própria construção política e simbólica do Tocantins. Deputado federal durante o processo de criação do estado, primeiro governador eleito e responsável pela implantação de Palmas, Siqueira consolidou uma imagem pública associada à fundação da nova unidade federativa. Essa associação esteve presente desde as primeiras disputas eleitorais, quando a condição de protagonista da emancipação tocantinense se tornou um recurso político relevante.


A associação entre a liderança, o território e a memória está no centro do chamado “siqueirismo”, entendido como uma forma de organização e dominação política estruturada em torno de Siqueira Campos, de seu capital político e da associação de sua imagem à criação do Tocantins. Esse fenômeno é fundamental para compreender a política tocantinense e a sua expressão territorial. Isso pode ser notado desde a sua presença material na construção da capital Palmas até a expressão de seu personalismo político na produção simbólica da nova capital. Mais do que comandar um grupo partidário, portanto, Siqueira construiu um capital político vinculado à própria história do estado.


Essa característica ajuda a compreender a relativa fluidez das legendas observada desde os primeiros anos do Tocantins. A análise das eleições estaduais brasileiras entre 1994 e 2014 destaca o Tocantins como um caso em que a competição se concentrou entre poucos grupos e no qual o peso de lideranças personalistas se mostrou particularmente relevante diante da estrutura partidária. As trajetórias de Siqueira Campos e Marcelo Miranda são os exemplos mais evidentes desse padrão. Siqueira venceu suas quatro eleições por legendas distintas: PDC em 1988, PPR em 1994, PFL em 1998 e PSDB em 2010. Miranda percorreu caminho semelhante, eleito pelo PFL em 2002 e pelo PMDB em 2006 e 2014.


A personalização, contudo, não ficou restrita ao siqueirismo. A política tocantinense também apresenta mecanismos de reprodução e circulação de capital político entre famílias e diferentes arenas institucionais. Nas duas famílias que dominaram o Executivo, essa reprodução operou por linhas distintas: Eduardo Siqueira Campos, filho de Siqueira Campos, foi prefeito de Palmas, deputado federal, senador e deputado estadual, enquanto Marcelo Miranda, filho do ex-deputado Brito Miranda, dividiu a presença política da família com a esposa, Dulce Miranda, eleita deputada federal. O mecanismo se estende para além delas. No Senado, Kátia Abreu e o filho Irajá Abreu, eleito em 2018, chegaram a ocupar cadeiras simultâneas pelo Tocantins entre 2019 e 2023, e Wanderlei Barbosa passou a dividir espaço na política estadual com o filho Léo Barbosa, deputado estadual.


Isso não parece significar, porém, a existência de blocos familiares imutáveis. A permanência de atores e grupos tradicionais convive com constantes realinhamentos intraelites no Tocantins. Marcelo Miranda é o exemplo mais claro: originário do campo de Siqueira, rompeu com o antigo aliado, chegou ao governo em 2002 pelo PFL, filiou-se ao PMDB e construiu um polo concorrente, derrotando Siqueira Campos em disputa direta em 2006 e retornando ao Palácio Araguaia em 2014. Antigos aliados se transformaram em competidores e famílias politicamente duradouras atravessaram diferentes partidos.


Desse modo, a continuidade das elites políticas locais no controle da política estadual não aparenta estar associada à construção de coalizões estáveis, mas à capacidade das lideranças e grupos de se reposicionarem diante dos novos cenários de disputa. Essa capacidade de recomposição se torna ainda mais importante quando se observa outro traço recorrente da política estadual: as sucessivas interrupções no comando do Executivo.


Vacâncias, afastamentos e a política da sucessão


Se a permanência das elites constitui um traço da política tocantinense, a estabilidade no comando do Executivo estadual conta uma história diferente. Desde 1998, cassações, renúncias e afastamentos interromperam sucessivamente mandatos e abriram caminhos alternativos para a chegada ao Palácio Araguaia. Em pouco menos de três décadas, presidentes da Assembleia Legislativa e vice-governadores assumiram repetidamente o governo em seis ocasiões, transformando a sucessão em elemento recorrente da dinâmica política estadual, conforme se observa no Quadro 1.


Quadro 1 - Interrupções de mandatos no Executivo tocantinense: causas, sucessores e desdobramentos (1998–2025) 

Ano

Governador

Motivo da interrupção

Quem assumiu

Desdobramento

1998

Siqueira Campos 

(PPB; PFL a partir de 1998)

Renúncia do governador, seis meses antes do pleito

Raimundo Boi (PPB), vice-governador

Completou o mandato até 31 de dezembro. A renúncia de Siqueira Campos viabilizou a candidatura do filho, Eduardo Siqueira Campos, ao Senado; Siqueira Campos concorreu e venceu a eleição daquele ano e retornou ao cargo de governador em 1º de janeiro de 1999

2009

Marcelo Miranda (PMDB)

Cassação dos mandatos do governador e do vice-governador Paulo Sidnei (PPS)

Carlos Gaguim (PMDB), presidente da ALETO

Assumiu interinamente e, em 8 de outubro, foi escolhido governador em eleição indireta pela Assembleia, com 22 votos.

2014

Siqueira Campos (PSDB)

Renúncia do governador e do vice João Oliveira (DEM)

Sandoval Cardoso (Solidariedade), presidente da ALETO

Assumiu o governo e depois foi escolhido em eleição indireta, com 15 dos 21 votos dos deputados participantes, para completar o mandato.

2018

Marcelo Miranda (MDB)

Cassação dos mandatos do governador e da vice Cláudia Lelis (PV)

Mauro Carlesse (PHS), presidente da ALETO

Assumiu interinamente; Miranda retornou brevemente ao cargo por decisão liminar do STF. Carlesse reassumiu, venceu a eleição suplementar e, meses depois, também a eleição regular.

2021–2022

Mauro Carlesse (PSL)

Afastamento cautelar seguido de renúncia

Wanderlei Barbosa (sem partido ao assumir; Republicanos a partir de março de 2022), vice-governador

Passou a exercer o governo após o afastamento de Carlesse e tornou-se governador definitivamente após a renúncia, em março de 2022; depois venceu a eleição daquele ano.

2025

Wanderlei Barbosa (Republicanos)

Afastamento cautelar determinado pelo STJ

Laurez Moreira (PSD), vice-governador

Exerceu temporariamente o governo. Barbosa retornou ao cargo em dezembro por decisão do STF. Em 2026, Laurez tornou-se adversário na disputa pelo governo.

Fonte: Elaboração própria.


O quadro revela duas lógicas distintas de interrupção. Em 1998, a renúncia foi instrumento de coordenação política já que o artigo 14, §7º, da Constituição torna inelegíveis os parentes até segundo grau do chefe do Executivo, salvo quando o titular deixa o cargo seis meses antes do pleito. Siqueira Campos renunciou em 4 de abril, exatos seis meses antes da eleição de outubro. Ele transferiu o governo ao vice e, em seguida, disputou o pleito e venceu. Ao mesmo tempo, Eduardo Siqueira Campos elegeu-se senador. Nos casos posteriores, a interrupção veio de fora, por decisão de tribunais: as cassações de 2009 e 2018 na Justiça Eleitoral e os afastamentos cautelares de 2021 e 2025 no STJ. Entre os dois momentos, a renúncia conjunta de 2014 exigiu que a presidência da Assembleia Legislativa assumisse o governo. É esse conjunto que explica a posição singular da Casa na política estadual: em três ocasiões, seu presidente deixou o comando do Legislativo para ocupar o Executivo, por eleição indireta ou mandato-tampão, antes de qualquer teste nas urnas. Os vice-governadores completam o quadro, tendo assumido em 1998, 2021 e 2025.


Mais recentemente, o caso de Wanderlei Barbosa mostrou que essa dinâmica não teve um ponto final. Ele próprio chegou ao Palácio Araguaia pela linha sucessória, como vice de Carlesse, e só depois conquistou mandato próprio. Em 2025, foi ele o afastado, e quem assumiu foi seu vice, Laurez Moreira, hoje à frente de uma das principais candidaturas de oposição. A eleição de 2026 opõe, assim, atores que ocuparam posições contíguas na mesma linha sucessória: a candidatura governista de Professora Dorinha disputa com dois nomes formados dentro do campo que a apoia.


Dados eleitorais e dinâmica de apoios para o governo e o Senado


Infográfico sobre a disputa no Tocantins em 2026, com três colunas: Professora Dorinha, Vicentinho Júnior e Laurez Moreira.

Dorinha é quem representa de forma mais clara a continuidade da atual administração. Senadora desde 2023, ela recebeu o apoio de Wanderlei Barbosa (Republicanos) e formou chapa com Atos Gomes (Republicanos). A coligação União pelo Tocantins reúne a Federação União Progressista (União Brasil e PP), Republicanos, PL, Podemos, Avante e a Federação Renovação Solidária (PRD e Solidariedade). A própria candidata tem assumido publicamente a continuidade da gestão de Barbosa como parte de sua candidatura. Esse vínculo pode ser relevante em um contexto no qual o governador conserva avaliação favorável. Segundo levantamento do Paraná Pesquisas, realizado em junho, sua administração tem 66,8% de aprovação.


Os dois principais adversários de Dorinha são também exemplos das rupturas recentes do campo político estadual. Laurez Moreira (PSD), atual vice-governador de Wanderlei Barbosa, encabeça a coligação Pra Frente Tocantins, formada por PSD, PSB, PDT e pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), tendo o coronel Silva Neto (PSD) como vice. Já Vicentinho Júnior (PSDB) disputa o governo ao lado de Amélio Cayres (MDB), presidente da ALETO e antigo aliado de Barbosa. A coligação Pra Cima Tocantins reúne MDB e a Federação PSDB-Cidadania


As pesquisas ainda recomendam cautela sobre a correlação de forças. Em julho, o Paraná Pesquisas encontrou empate técnico entre Dorinha, com 34,4%, e Vicentinho, com 33,5%, enquanto Laurez registrou 10,1%. Os números indicam uma disputa em que a candidata governista inicia o período eleitoral competitiva, mas deve encontrar dificuldades, já que pelo menos um de seus adversários aparece tecnicamente empatado, levando em consideração a margem de erro.


A corrida pelo Senado, por sua vez, acrescenta outra camada de fragmentação. Com duas vagas em disputa e 13 candidaturas registradas, o campo de Dorinha abriga simultaneamente Eduardo Gomes (PL), Carlos Gaguim (União Brasil), Eli Borges (Republicanos) e Ronaldo Dimas (Podemos). Entre eles, Gomes e Gaguim aparecem mais próximos do núcleo da candidatura governista e de Barbosa, embora não exista uma dobradinha formal. Do outro lado, Vicentinho e Amélio têm Alexandre Guimarães (MDB) como candidato ao Senado, enquanto a chapa de Laurez lançou Paulo Mourão (PT).


As pesquisas realizadas antes da formalização definitiva das chapas já mostravam Eduardo Gomes e Alexandre Guimarães nas primeiras posições. No levantamento do instituto Paraná Pesquisas de julho, Gomes registrava 31,2% e Alexandre, 25,1%, seguidos por um conjunto mais disperso de candidatos que inclui até mesmo o técnico de futebol Vanderlei Luxemburgo (Podemos). A presença de quatro postulantes ao Senado no mesmo campo de Dorinha evidencia pelo menos um contraste marcante: a coalizão governista chega unificada para a disputa do governo do estado, embora ainda fragmentada na corrida pelas duas cadeiras do Tocantins no Senado.


Lula, o bolsonarismo e a questão territorial


A disputa pela Presidência também tem reflexos na competição tocantinense, mas sua tradução no território está longe de ser automática. Em 2022, Lula (PT) venceu Jair Bolsonaro (PL) no Tocantins por margem estreita, com 51,36% contra 48,64% dos votos válidos. O resultado estadual, contudo, esconde diferenças territoriais importantes. Na capital, que reúne 18% do eleitorado do estado, Bolsonaro alcançou 60,32% contra 39,68% de Lula - uma vantagem de 32.754 votos, mais do que toda a margem com que o petista venceu no Tocantins (22.939). A dianteira bolsonarista se repetiu em Araguaína e Gurupi, o segundo e o terceiro maiores colégios eleitorais, e em Paraíso do Tocantins, onde ele fez sua melhor votação entre as cidades grandes, com 67,96%. Lula compensou no restante do estado, onde abriu 78.842 votos e venceu em 116 dos 138 municípios do interior, segundo dados do TSE. 


A diferença entre o voto presidencial e a política estadual é igualmente relevante. Naquele mesmo pleito, o candidato apoiado por Bolsonaro ao governo, Ronaldo Dimas (PL), obteve apenas 22,50%, muito abaixo dos 58,14% alcançados por Wanderlei Barbosa. Barbosa manteve-se neutro na disputa presidencial durante o primeiro turno e, depois de garantir sua reeleição, declarou apoio a Bolsonaro. O episódio sugere que uma parcela expressiva do eleitorado tocantinense combinou preferências nacionais e estaduais distintas.


Palmas voltou a oferecer um exemplo dessa autonomia em 2024. Embora Bolsonaro tivesse vencido amplamente na capital dois anos antes, sua aliada Janad Valcari (PL) foi derrotada no segundo turno municipal por Eduardo Siqueira Campos (Podemos), que obteve 53,03% dos votos. A candidata bolsonarista terminou com 46,97%, mesmo depois de liderar o primeiro turno.


Em 2026, o campo ligado a Lula encontra seu palanque mais definido na candidatura de Laurez Moreira (PSD). Sua coligação reúne PT, PCdoB e PV, além de PSD, PSB e PDT, e lançou Paulo Mourão (PT) ao Senado. A convenção contou inclusive com a participação do ministro Wellington Dias, que manifestou apoio à chapa.


Esse alinhamento, contudo, não se estende à coordenação da campanha presidencial. Kátia Abreu, hoje no PT, coordena a campanha de Lula e atua fora do palanque estadual do presidente, formado por Laurez, Paulo Mourão e pelo candidato a vice, Coronel Silva Neto (PSD). 


A coordenação da campanha de Lula compreende essa chapa como palanque do presidente no estado, sem fazer da adesão a ela uma condição para integrar a campanha presidencial. A busca por prefeitos, vereadores e outras lideranças tem alcançado nomes vinculados a candidaturas concorrentes ao governo. Os dois núcleos permanecem distantes, a ponto de uma eventual visita presidencial ao estado depender de uma acomodação ainda não construída.


O bolsonarismo, por seu turno, se insere principalmente no campo de Dorinha, por meio do PL e de Eduardo Gomes, aliado histórico da família Bolsonaro. Na corrida ao Senado, Flávio Bolsonaro anunciou apoio a Gomes e Carlos Gaguim.


A força desse campo, apesar dos reveses, continua significativa. A pesquisa Real Time Big Data realizada em junho encontrou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no Tocantins, ambos com 37% em um cenário de primeiro turno; no confronto direto de segundo turno no estado, Flávio aparecia com 41% e Lula com 40%. Ao mesmo tempo, 52% desaprovavam a administração federal, enquanto 45% aprovavam. Os números sugerem que o bolsonarismo possui forte penetração eleitoral no Tocantins, especialmente nos maiores centros urbanos. Porém, sua capacidade de se organizar como campo competitivo nas esferas estadual e municipal encontra limites.


Tocantins em 2026: disputas, alianças e um sistema político em reconfiguração


A eleição de 2026 encontra, assim, um sistema político marcado simultaneamente por permanências e mudanças. Lideranças e grupos tradicionais continuam ocupando posições centrais, mas a capacidade de reorganizar alianças diante de novos cenários parece tão importante quanto a longevidade dessas elites. A própria configuração da disputa atual é resultado desse movimento: Dorinha busca representar a continuidade do governo Wanderlei Barbosa, enquanto Laurez Moreira e Amélio Cayres, hoje em chapas adversárias, estiveram até recentemente vinculados ao mesmo campo político.


As sucessivas interrupções no comando do Executivo acrescentam outra particularidade ao caso tocantinense. Cassações, renúncias e afastamentos produziram momentos de instabilidade institucional, abriram oportunidades para a ascensão de novas lideranças e alteraram a distribuição de poder entre governadores, vice-governadores e presidentes da ALETO. Parte dos atores que protagonizam a eleição atual chegou às posições que ocupam por meio dessas próprias dinâmicas de sucessão.


Ao mesmo tempo, a disputa política nacional encontra no Tocantins limites para sua reprodução automática. Lula e o bolsonarismo dispõem de bases eleitorais expressivas e de palanques no estado, contudo os resultados recentes mostram que as preferências presidenciais não se transferem necessariamente para as disputas estaduais. A diferença entre Palmas e grande parte do interior reforça ainda a importância do território na compreensão desse comportamento.


A eleição de 2026 em um dos estados mais jovens do país combina velhos personagens, novas alianças e conflitos produzidos dentro das próprias coalizões que governaram o Tocantins. Mais do que uma simples reprodução da disputa nacional, o pleito deve ser compreendido a partir das formas próprias pelas quais lideranças, grupos políticos e territórios reorganizam a competição estadual. Nesse cenário, a tendência é de uma disputa mais competitiva entre atores que já se conhecem e disputam, há anos, os mesmos espaços de poder.



¹ Gustavo Paravizo é bolsista de pós-doutorado PDJ/CNPq no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora (PPGCSO/UFJF) e pesquisador do Núcleo de Estudos sobre Política Local (NEPOL/UFJF). É um dos coordenadores da série especial “A política nos estados e as eleições de 2026”. Contato: gustavoparavizo@gmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/4023782817440703.


Este texto contou com a colaboração dos bolsistas voluntários do NEPOL João Pedro Moreira e Miguel Carvalho, na coleta de dados e na checagem de informações.


As análises e opiniões apresentadas neste texto são de responsabilidade exclusiva de seu(s) autor(es). O Núcleo de Estudos sobre Política Local (NEPOL/UFJF) reafirma seu compromisso institucional com a pluralidade de perspectivas e com a diversidade teórica e metodológica que orienta a produção científica na Ciência Política brasileira.

Comentários


Logomarca do NEPOL

Campus da Universidade Federal de Juiz de Fora
Rua José Lourenço Kelmer, S/Nº – São Pedro
Juiz de Fora – MG, 36036-900, Brasil

Mapa do site

Atendimento

+55 (32) 2102-3101
contato@nepol.blog.br

  • Instagram
  • Youtube
bottom of page