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As eleições de 2026 em Rondônia: entre a radicalização conservadora e a busca pela moderação perdida

João Paulo Saraiva Leão Viana¹


Situado na parte ocidental da Amazônia brasileira, Rondônia faz fronteira com o Acre, Amazonas, Mato Grosso e também com a Bolívia. Conforme o censo de 2022, a população do estado é de aproximadamente 1.800.000 habitantes, com pouco mais de 1.200.000 eleitores, o que representa 0,8% do eleitorado nacional. Rondônia possui o terceiro maior PIB da Região Norte, atrás somente dos estados do Pará e do Amazonas. A unidade federada é também uma das maiores produtoras de arroz, cacau, café, mandioca, soja e minérios. A pecuária é outra atividade econômica de grande relevância para a economia estadual, que possui o sexto maior rebanho bovino do país.


No plano político, o caso rondoniense constitui-se um dos mais instigantes da política subnacional brasileira na atualidade. Viana e Carlomagno (2024) analisaram as disputas presidenciais de 2018 e 2022 em Rondônia, única unidade federada em que Jair Bolsonaro (PL) havia vencido em todos os municípios nos quatro turnos, o que torna o caso de Rondônia ainda mais singular.


Entre os achados mais relevantes de Viana e Carlomagno, mencionam-se: 1) Bolsonaro não saiu apenas vitorioso em todos os municípios em ambas as disputas, mas em 40% dessas localidades logrou êxito em absolutamente todas as seções eleitorais; 2) Nos municípios em que o PT obteve o melhor resultado por seção eleitoral, não chegou a 30% das urnas, desempenho alcançado em 2018 e que caiu substancialmente em 2022; 3) Enquanto na eleição de 2022, a votação nacional de Bolsonaro diminuiu quando comparada com 2018, em Rondônia o bolsonarismo bateu recorde de vitórias em seções eleitorais, obtendo sucesso em 98% das urnas no segundo turno, mesmo com a derrota em nível nacional. 


Em suma, o ex-presidente Bolsonaro (PL) venceu, de forma espantosa, em média, em 97% das urnas rondonienses nas eleições de 2018 e 2022. Certamente, estamos nos referindo ao mais bolsonarista dos estados. A Tabela 1 apresenta o desempenho de Bolsonaro por seção eleitoral em Rondônia, em 2018 e 2022. 


Tabela 1 – Posição do candidato Jair Bolsonaro, em cada turno, por seção em Rondônia

 (2018 e 2022)


Fonte: Viana e Carlomagno (2024, p. 178-179)


Conforme os dados acima, é possível verificar que Bolsonaro, além de vencer em todos os municípios, também obteve êxito em quase todas as urnas do estado. Seu pior desempenho ocorreu no primeiro turno da eleição de 2018, no qual alcançou 96,7% de vitória nas seções eleitorais. Em linha análoga, em Rondônia, o apoio quase total ao bolsonarismo nas eleições presidenciais também se repetiu no plano da disputa estadual. Na esteira da onda bolsonarista, em 2018, o estado elegeu pelo PSL um ilustre desconhecido, então neófito das urnas, o coronel Marcos Rocha, agora, recém-filiado ao PSD, depois de ser reeleito em 2022 pelo União Brasil. 


Ao desbancar membros da elite política tradicional, como Expedito Jr. (PSD), hoje, seu aliado, além de Maurão de Carvalho (MDB), e Acir Gurgacz (PDT), a eleição de Marcos Rocha em 2018 abriu as portas a um processo de radicalização política em curso no estado, que chegaria ao ápice na disputa eleitoral de 2022. Diante dessa realidade, esta análise de conjuntura tem como objetivo apresentar um breve quadro da pré-campanha de 2026 ao governo de Rondônia. De antemão, alerto, que mudanças na conjuntura política tendem a ocorrer de forma cada vez mais acelerada e, até o final das convenções e o momento final dos registros de candidaturas, muita coisa ainda pode acontecer.


Breve contextualização: das raízes autoritárias à radicalização à direita



Fonte: elaboração do NEPOL.


Em Rondônia, os processos de formação política foram marcados por forte influência autoritária, como mostram Viana et al. (2022). Foi assim em 1943, durante a fundação do antigo território federal do Guaporé, no bojo da ditadura varguista do Estado Novo e, posteriormente, em 1982, no contexto de criação do estado, processo que ocorreu durante os momentos finais do regime militar. No período que abarca toda a fase territorial (1943 a 1982), o cargo de governador foi de livre nomeação do presidente. No total, de setembro de 1943 a janeiro de 1982, cerca de vinte militares de alta patente exerceram a chefia do Executivo rondoniense, o nome mais emblemático foi o coronel Jorge Teixeira (PDS), último governante territorial e o primeiro do estado, uma espécie de founding father local.


O predomínio de uma elite política oriunda do interior do estado consiste em outra característica importante da política rondoniense desde os anos 1980 e na primeira metade da década de 1990. Como analisou Viana (2019), é no momento de abertura da competição eleitoral que uma nova elite política surgiria, com base eleitoral na BR-364, uma região em franco desenvolvimento econômico e crescimento populacional desde os anos 1970, ainda durante o período territorial. A partir de 1994, com a chegada de Valdir Raupp (PMDB) ao governo, até 2014, com a reeleição de Confúcio Moura (PMDB), todos os governadores possuíam o interior como base eleitoral, mais especificamente a parte leste rondoniense, no eixo da BR-364.


Área de fronteira, formada sob forte influência militar e autoritária, terra do agronegócio, com um dos maiores eleitorados evangélicos do país, o estado possui nesses elementos alguns dos principais traços que moldaram o conservadorismo rondoniense. Sob um subsistema partidário dominado historicamente por partidos conservadores, o PMDB se consolidou como a maior legenda do estado até 2014 (Viana, 2026). No entanto, a partir de 2018, com a influência da onda de extrema-direita na política brasileira, Rondônia vivencia um processo de radicalização conservadora sem precedentes na trajetória da jovem unidade federada.


Nesse contexto, o processo de radicalização política em curso pelo menos desde meados da década passada, encontrou terreno fértil em solo rondoniense. A eleição do coronel Marcos Rocha pelo PSL em 2018 abriu caminho para o recrudescimento da radicalização conservadora em todos os níveis de disputa. Assim, nas eleições de 2022, enquanto o quadro radicalizado se arrefecia em nível nacional, no estado, ao contrário, avançava a passos largos, com a disputa no segundo turno entre dois candidatos bolsonaristas.


Naquele ano, a reeleição de Rocha foi marcada por intensa competição contra outro expoente do bolsonarismo, o senador Marcos Rogério (PL), conhecido nacionalmente durante a CPI da COVID-19 pela alcunha de “pitbull de Bolsonaro”, considerado naquela ocasião um candidato de extrema-direita. Em 2022, a disputa pelo espólio bolsonarista entre direita radical (Marcos Rocha - União) e extrema direita (Marcos Rogério - PL) foi tão acirrada que, convocada a decidir sobre o tema, a Justiça precisou se manifestar sobre quem poderia ou não utilizar a imagem de Bolsonaro em suas respectivas campanhas.


Em meio a essa conjuntura, o quadro altamente radicalizado praticamente “varreu” o campo progressista do mapa eleitoral do estado. O Partido dos Trabalhadores (PT), que governou a capital entre 2005 e 2012, após uma segunda gestão desastrosa em Porto Velho, completamente desarticulado, ficou nas duas últimas disputas eleitorais (2018 e 2022) sem sequer lançar candidato ao governo estadual. Dos eleitos em 2022 à Assembleia Legislativa, apenas dois nomes eram filiados a partidos de centro-esquerda, com PT e PSB elegendo um representante cada. Nas bancadas rondonienses na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, somente o ex-governador e atual senador, Confúcio Moura, um notório político de centro-direita, quadro histórico do MDB desde a redemocratização, assumiu o apoio ao governo Lula no estado. 


De lá pra cá, embora o bolsonarismo tenha sido derrotado em 2024 na disputa à prefeitura de Porto Velho, mesmo com a vitória histórica da liderança de centro-direita de Léo Moraes (Podemos), do ponto de vista da mediana ideológica, o quadro estadual seguiu praticamente inalterado, com a hegemonia ultraconservadora e o total esfacelamento do campo progressista. Na seção seguinte, analisaremos a atual conjuntura da pré-campanha eleitoral, dando ênfase à disputa ao Palácio Rio Madeira, sede do governo estadual.


A pré-campanha de 2026 ao governo rondoniense



Fonte: elaboração do NEPOL.


A aliança que se firmou em torno da reeleição do coronel Marcos Rocha em 2022 se posicionava com duas opções para a disputa de 2026. De um lado, pelo União Brasil, o vice-governador Sérgio Gonçalves, irmão do chefe da Casa Civil, Júnior Gonçalves, esse último, à época, considerado um dos principais atores da política estadual. Os Gonçalves são membros de uma família ligada ao ramo de supermercados, com base em Jaru, interior do estado. Com o provável processo de desincompatibilização do governador em vistas de sua eventual candidatura ao Senado, Sérgio Gonçalves (União) assumiria o governo e naturalmente concorreria à reeleição. 


Do outro lado, pelo PSDB, o então prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, aliado fundamental na reeleição de Rocha, que inclusive chegou a se filiar ao União Brasil já no final de 2022 e acabou voltando para o PSDB, se apresentava como uma opção viável ao grupo político que naquele momento se consolidava no poder.


No entanto, dois acontecimentos de grande relevância no decorrer do segundo governo do coronel Marcos Rocha, recém-filiado ao PSD, modificaram significativamente as perspectivas para a unidade e continuidade de seu grupo no poder. O primeiro foi a derrota da coligação bolsonarista à prefeitura de Porto Velho em 2024. A aliança reunia cerca de dez partidos e era liderada à época pelo governador Marcos Rocha, pelo então prefeito tucano de Porto Velho, Hildon Chaves (atual União) e pela ex-deputada federal Mariana Carvalho (Republicanos). Em segundo lugar, destacam-se as fissuras no aparelho governamental após o rompimento político entre o governador e o grupo de seu vice, Sérgio Gonçalves (União), o que inegavelmente enfraqueceu a coalizão governista, além de representar, de fato, o fim das possibilidades de candidatura de Marcos Rocha ao Senado Federal e da tentativa de Sérgio Gonçalves de assumir o governo e se candidatar à reeleição.


A partir daí, Rocha passaria a ter um papel inusual no processo eleitoral que decidiria a sua sucessão. Abriria mão de sua candidatura ao Senado para concluir o mandato, e, assim, evitava que seu vice, e agora inimigo político, Sérgio Gonçalves, assumisse o governo. Com isso, minava também as possibilidades das candidaturas à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia (ALERO), respectivamente, de sua esposa, a primeira-dama Luana Rocha, e de seu irmão, Sandro Rocha, diretor do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). 


Nesse contexto, a estratégia escolhida pelo governador foi se filiar ao PSD, liderado pelo ex-senador Expedito Júnior, e coordenar a candidatura do ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria (PSD), que renunciou ao cargo e está apto a concorrer ao governo. Ainda que o governador esteja diante de um processo notório de queda de popularidade, com o seu governo enfrentando altos índices de reprovação, “Fúria”, embora ainda muito jovem – o que pode pesar na disputa, é bem avaliado em sua região e desponta como um sério candidato ao segundo turno.


Não obstante, o líder das pesquisas realizadas pelos institutos locais é o senador Marcos Rogério (PL). Apesar de se posicionar como favorito, Rogério também conta com alto índice de rejeição. Candidato derrotado ao governo em 2022, o senador se organizou politicamente para a disputa e é tido pelos analistas locais como um nome certo para o segundo turno. De fato, Marcos Rogério vem construindo alianças importantes que tendem a maximizar suas oportunidades de sucesso eleitoral. Um exemplo é o do ex-aliado do governador, o deputado federal Fernando Máximo, que trocou o União Brasil pelo PL em megaevento realizado em meados de março em Ji-Paraná, maior cidade do interior do estado, que contou com a presença do pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Máximo é um dos nomes favoritos na disputa ao Senado Federal. Cumpre mencionar também, que há poucas semanas, Marcos Rogério recebeu o apoio de um grupo de prefeitos do Cone Sul do estado, liderados pelo atual prefeito de Vilhena, Delegado Flori (Podemos), liderança muito bem avaliada na região.


Entretanto, se o senador é um nome fortíssimo ao segundo turno, sua preocupação deve ser ultrapassar o eleitorado mais conservador e alcançar uma fatia importante do eleitorado mediano,  que será decisivo no segundo round. Assim como ocorreu em 2022, quando o eleitorado mediano optou no segundo turno por um bolsonarismo menos extremista e reelegeu o coronel Rocha, que derrotou Rogério. Para tanto, Marcos Rogério (PL) vem dialogando há alguns meses com Léo Moraes (Podemos), prefeito de Porto Velho, o maior colégio eleitoral do estado. Há grandes possibilidades de que Moraes indique o vice na chapa de Rogério, numa aliança que teria como objetivo fundamental o alcance do eleitorado de centro e da capital. Cumpre mencionar que Léo Moraes é o prefeito mais bem avaliado do país e o seu apoio será fundamental na eleição ao governo rondoniense. Se o acordo prosperar, ao que tudo indica, o escolhido será o empresário Márcio Barreto (Podemos), ex-secretário municipal de Turismo, atual presidente da ABAV-RO, e tio de Léo Moraes. Nome respeitado no meio empresarial, tido politicamente como um conservador moderado, Barreto é visto como um ator que pode contribuir para que Marcos Rogério alcance o eleitor mediano, tarefa de fundamental importância, principalmente, num eventual segundo turno.


Outro nome importante na pré-campanha ao governo rondoniense, é o ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves. Ex-tucano, agora filiado ao União Brasil, Hildon concluiu seu mandato em 2024 bem avaliado pela população. Contudo, ao não eleger como sua sucessora a ex-deputada federal Mariana Carvalho (Republicanos), o ex-prefeito de Porto Velho viu parte do seu grupo político ruir e com isso parcela significativa de seu prestígio político. Mesmo assim, manteve-se na presidência da Associação Rondoniense dos Municípios (AROM) e, após ensaiar candidatura à Câmara dos Deputados, conseguiu se rearticular e lançar sua pré-candidatura ao governo, tendo como vice o deputado estadual Cirone Deiró (União), da região de Cacoal.


Avançar na construção de alianças pela BR-364 é uma estratégia importante para quem possui base eleitoral na capital e precisa dos votos do interior para chegar ao segundo turno. Além do pré-candidato a vice, Cirone Deiró (União), Hildon conta com o apoio de Alex Redano (Republicanos), presidente da ALERO, nome ligado ao grupo político da família Carvalho, dos irmãos Mariana Carvalho (Republicanos) e Maurício Carvalho (União), aliados de longa data de Hildon Chaves. Redano, cujo reduto político é Ariquemes, quarta maior cidade do estado, pode contribuir muito com a candidatura de Hildon Chaves.


Um ponto forte de uma possível candidatura de Hildon é o seu atual partido, União Brasil que, ao lado do PL, saiu das urnas em 2022 como uma das legendas mais fortes do estado, deixando para trás o histórico MDB. A coligação majoritária deve contar ainda, pelo menos, com Republicanos e PSDB, legendas dominadas pelos aliados de Hildon. No caso dos tucanos, o partido agora é controlado pelo presidente da Câmara Municipal de Porto Velho (CMPV), Gedeão Negreiros, membro de uma família tradicional da política na capital e aliada direta de Hildon Chaves. Caso chegue a um eventual segundo turno contra Marcos Rogério, Hildon pode, inclusive, conseguir o apoio do atual do governador Marcos Rocha e do PSD. Isso é algo bastante factível. Entretanto, com uma possível entrada de Léo Moraes na campanha de Marcos Rogério (PL) ou de Adailton Fúria (PSD), Chaves não terá o mesmo desempenho de outrora em Porto Velho. É, praticamente, impossível qualquer aliança entre os respectivos grupos políticos de Léo Moraes (Podemos) e Hildon Chaves (União).


Pelo campo progressista, após duas eleições consecutivas (2018 e 2022), o PT rondoniense voltará a lançar candidato ao governo estadual. Ainda que bastante conhecido do eleitorado, o nome do partido na pré-disputa eleitoral é um quadro distante das bases da legenda em Rondônia. Trata-se do ex-deputado federal Expedito Netto, filho do ex-senador Expedito Jr. (PSD), que coordena a campanha de Adailton Fúria no estado. Recém-filiado ao partido, Netto contou com o aval de Lula e da direção nacional para a difícil missão de alavancar a legenda no estado e também proporcionar palanque à disputa presidencial. Diante de um forte sentimento antipetista que se arrasta por mais de uma década em Rondônia, do ponto de vista da estratégia eleitoral, a escolha pelo nome de Netto, sem dúvida, foi a melhor opção para o partido no estado. Embora as chances de sucesso eleitoral sejam reduzidas, ao retornar à disputa ao governo, o partido mira nas eleições proporcionais e será um agente relevante num eventual segundo turno da disputa majoritária.


Ainda pelo campo progressista, o PSB lançou a pré-campanha ao governo estadual do advogado Samuel Costa. Ex-filiado à REDE, Samuel é alguém conhecido das urnas, tendo sido candidato anteriormente a deputado federal pelo PCdoB, e à prefeitura de Porto Velho, quando filiado à REDE. Orador nato, militante de esquerda e anti-bolsonarista, Samuel Costa é um nome que costuma movimentar os debates eleitorais. Contudo, há também a possibilidade de o PSB lançar como candidato ao governo o professor da UNIR, Vinícius Miguel, atual presidente da legenda no estado.


O que podemos esperar?


Como mencionado anteriormente, a atual conjuntura política rondoniense apresenta dilemas instigantes. Ainda que o quadro radicalizado desde 2018 se recuse a ceder, com os grupos políticos dos três candidatos mais bem posicionados na disputa apoiando a pré-candidatura bolsonarista de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência, tudo indica que o eleitor moderado será fundamental para o resultado da eleição.


Embora favorito, Marcos Rogério (PL) tem dificuldades de alcançar essa fatia do eleitorado e isso ficou evidente na disputa de 2022. Assim, uma possível aliança com o grupo político do prefeito Léo Moraes (Podemos) seria fundamental para o sucesso do candidato do PL. Se o próprio Flávio Bolsonaro vem se autodenominando um político de direita moderada, esse parece ser o caminho mais viável ao seu correligionário em Rondônia. Do contrário, os riscos de uma nova derrota de Marcos Rogério no segundo turno são iminentes.


Por outro lado, a disputa pela segunda vaga ao segundo turno está completamente em aberto. Tanto Adailton Fúria (PSD) quanto Hildon Chaves (União Brasil) sabem disso. Novamente, o apoio de Léo Moraes (Podemos) aparece aqui como um elemento decisivo para Marcos Rogério (PL), capaz de avançar em Porto Velho onde o Bolsonarismo tende a ser menos radicalizado. Caso Marcos Rogério não consiga o apoio do atual prefeito, muito possivelmente, é Adailton Fúria (PSD) quem sairá em vantagem. Isso porque num eventual segundo turno, Fúria poderia, além do apoio de Léo Moraes, angariar o apoio petista que, numa disputa acirrada, pode decidir a eleição. Vale lembrar que o candidato do PT ao governo é Expedito Netto, filho do coordenador da campanha de Adailton Fúria, o ex-senador Expedito Jr. (PSD), um político moderado, certamente, um dos quadros mais habilidosos da política estadual. Ademais, em 2022, o PT foi fundamental no segundo turno para a reeleição de Marcos Rocha (PSD). E isso pode se repetir em 2026.


Todavia, inicialmente, Adaílton Fúria (PSD) precisa neutralizar a candidatura de Hildon Chaves (União) na disputa pela segunda vaga ao round final. Sobre essa questão, e a possibilidade de construção de uma possível aliança moderada à direita entre Marcos Rogério (PL), e aquele que pode ser o fiel da balança da disputa, o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), voltaremos a falar em breve.



João Paulo Saraiva Leão Viana é doutor em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), com pós-doutorado na University of Pittsburgh. É professor do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Pará (UFPA), coordenador estadual do Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia (LEGAL) e pesquisador de pós-doutorado na Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP). Contato: joaopauloviana@hotmail.com. Lattes: http://lattes.cnpq.br/8707855201746217



As análises e opiniões apresentadas neste texto são de responsabilidade exclusiva de seu(s) autor(es). O Núcleo de Estudos sobre Política Local (NEPOL/UFJF) reafirma seu compromisso institucional com a pluralidade de perspectivas e com a diversidade teórica e metodológica que orienta a produção científica na Ciência Política brasileira.



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