POR QUE O PT GOVERNA O PIAUÍ HÁ MAIS DE DUAS DÉCADAS? CONTINUIDADE E MUDANÇA NA POLÍTICA ESTADUAL
- NEPOL UFJF

- há 10 horas
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Olívia Cristina Perez¹
Sávia Barreto²
O que explica a permanência do PT no governo do Piauí por tantos anos? Essa pergunta permite compreender um dos fenômenos políticos mais importantes da história recente do estado.
Desde a primeira vitória de Wellington Dias (PT), em 2002, o PT ocupa o centro da política estadual. Em 2026, serão 23 anos desde a chegada do partido ao comando do Executivo estadual, configurando uma das experiências mais duradouras de governos petistas no Brasil no plano estadual.
A partir de 2003, o governo estadual foi exercido por quadros do PT em todos os mandatos, à exceção do interregno de Wilson Martins (PSB), entre 2011 e 2014. Esse intervalo, contudo, não representou uma ruptura propriamente dita: Martins havia sido vice de Wellington Dias e hoje gravita na órbita governista, como pré-candidato a deputado federal pelo PSD, partido da base aliada de Rafael Fonteles.
Foram quatro mandatos de Dias (2003–2010 e 2015–2022), a gestão de transição de Regina Sousa (PT) em 2022, primeira mulher a governar o estado, e a eleição de Rafael Fonteles (PT), apoiado por Wellington Dias, no primeiro turno daquele ano, com cerca de 57% dos votos válidos (TSE, 2022). A própria chapa vitoriosa de 2022 reuniu nove partidos - PT, PCdoB, PV, MDB, PSD, PSB, PROS, Solidariedade e Agir -, monopolizando as grandes siglas de centro e deixando a oposição sem o oxigênio partidário que poderia viabilizar uma alternativa competitiva.

Legenda: Rafael Fonteles, Lula e Wellington Dias: presente, capital nacional e passado do ciclo petista no estado. Foto: Ricardo Stuckert/Agência Brasil.
Da substituição das elites tradicionais ao novo status quo
A ascensão do petismo no Piauí tem como pano de fundo uma explicação de natureza sociológica que antecede ao próprio PT. A política piauiense da segunda metade do século XX foi estruturada por famílias tradicionais, com raízes econômicas e históricas, como mostram pesquisadores como Ricardo Arraes Filho, que analisa a centralidade das oligarquias e das elites políticas na organização do poder estadual entre 1982 e 1995, e Germano Lúcio Pereira Moura, que demonstra a permanência do familismo político na Assembleia Legislativa do Piauí, por meio da manutenção e reprodução da herança política familiar. A partir dos anos 2000, esse arranjo foi deslocado pela ascensão de uma elite sindical, formada por lideranças oriundas de sindicatos, associações e movimentos sociais, sem lastro em sobrenomes oligárquicos. Estudos sobre a elite parlamentar estadual registram o declínio progressivo de deputados ligados às famílias tradicionais ao longo daquele período. Wellington Dias, bancário, sindicalista e vereador eleito em 1992, é o arquétipo desse estrato.
Se toda dominação política se organiza em torno de uma minoria coesa, e se a renovação histórica se dá pela substituição de um grupo dirigente por outro, o PT no Piauí foi protagonista desse processo. O partido ocupou, eleição após eleição, o espaço das antigas oligarquias e, com o tempo, tornou-se ele próprio o novo status quo, inclusive ao se aliar a parcelas dos grupos contra os quais fez oposição no passado mais distante. O governo do Piauí não é, a rigor, apenas “do PT”: é do PT e de seus aliados, com o partido funcionando como eixo de um bloco de governo mais amplo.
A força do governismo também se expressa na distribuição partidária das prefeituras piauienses. Nas eleições municipais de 2024, o PSD foi o partido que mais elegeu prefeitos no estado, com 65 municípios, seguido pelo MDB, com 57, pelo PT, com 50, e pelo PP, com 34. O dado mostra que a hegemonia estadual não depende exclusivamente da legenda petista, mas de uma coalizão mais ampla, sustentada por partidos de centro e por lideranças municipais com maior capilaridade territorial. Assim, o poder do PT no Piauí pode ser compreendido como domínio praticamente isolado de um partido na projeção de líderes competitivos no cenário majoritário, mas dividindo o comando desse bloco governista com PSD, MDB e outras siglas que funcionam como bases decisivas de sustentação política.
A primazia estadual do PT apoia-se, ainda, na persistente popularidade de Lula no Piauí e na continuidade histórica do voto presidencial petista no estado. Em pesquisa divulgada pelo AtlasIntel/Meio Norte em junho de 2026, 64,5% dos eleitores piauienses declaram aprovar o governo Lula, contra 28,8% que o desaprovam; no mesmo estudo, 53% classificaram a gestão federal como ótima ou boa. Esse desempenho recente dialoga com uma trajetória eleitoral mais longa: Lula venceu no Piauí em 2002, com 60,73% dos votos válidos no segundo turno, e ampliou sua votação para 77,31% em 2006; Dilma Rousseff obteve 69,98% em 2010 e 78,30% em 2014; Haddad registrou 63,4% no primeiro turno e 77,05% no segundo, em 2018 ; e Lula voltou a alcançar 76,86% dos votos válidos no segundo turno de 2022.
A sequência indica que a hegemonia petista no estado não decorre apenas de fatores locais, como capilaridade municipal e controle da coalizão, mas também de uma ancoragem nacional fortemente favorável. No Piauí, Lula opera como ativo simbólico e eleitoral do governismo: sua aprovação amplia a legitimidade do bloco petista, consolida a associação entre políticas sociais, presença do Estado e melhoria das condições de vida, e dificulta que a oposição estadual se apresente como alternativa majoritária sem enfrentar, ao mesmo tempo, o peso político do lulismo.
Infografia 1 - Dinâmicas de poder em duas décadas de PT à frente do governo do Piauí

Fonte: elaboração do NEPOL.
A oposição diante de uma coalizão que ocupa o centro
A relação com a oposição ajuda a entender esse processo. Durante muitos anos, o PSDB foi o principal contraponto ao PT, especialmente pela liderança de Firmino Filho (PSDB) em Teresina. O ex-prefeito, eleito quatro vezes para comandar a capital, possuía força eleitoral e capacidade de articulação para reunir diferentes grupos oposicionistas. Sua morte, em 2021, ocorreu em um momento decisivo e deixou uma ausência na construção de uma liderança capaz de organizar esse campo político.
Nos anos seguintes, a oposição enfrentou dificuldades para construir um projeto estadual competitivo. As gestões municipais de Dr. Pessoa (MDB), entre 2021 e 2024, e de Sílvio Mendes (União Brasil), a partir de 2025, passaram a fazer parte desse cenário de reorganização política em Teresina, mas sem reconstruir a antiga força estadual do PSDB. Enquanto isso, Rafael Fonteles ampliou sua base incorporando lideranças de diferentes origens políticas, inclusive setores que antes disputavam diretamente contra o PT.
A incorporação de adversários assinalada acima é mais do que uma habilidade pessoal do governador. Ela expressa, de modo mais amplo e em escala estadual, uma lógica semelhante à do presidencialismo de coalizão, conforme concebido por Sérgio Abranches. Governar tornou-se o ato de arregimentar maiorias: atrair legendas, lideranças municipais e frações do campo adversário, integrando a classe política como sócia da gestão, e não apenas como força externa de contestação.
No caso piauiense, essa lógica faz com que a oposição enfrente não apenas o PT, mas uma coalizão que reúne PT, PSD, MDB, PSB e outras legendas de centro, além de prefeitos, parlamentares, grupos regionais e lideranças que, em outro contexto, poderiam estruturar uma alternativa competitiva. A força do governismo está justamente nessa capacidade de monopolizar o centro político. Ao ocupar esse espaço, o PT reduz o campo partidário disponível para a oposição e dificulta que ela transforme insatisfação difusa em um projeto estadual viável.
O efeito aparece na dificuldade de acumulação oposicionista. A oposição não perde apenas eleições: ela recomeça praticamente do zero a cada ciclo, sem consolidar liderança, narrativa e organização territorial capazes de atravessar disputas sucessivas. Lideranças que poderiam compor um campo alternativo tendem a ser atraídas para a órbita governista ou a permanecer sem densidade suficiente para reorganizar o sistema político estadual.
Bolsonarismo no Piauí: dificuldades em disputar a hegemonia
Como resultado, a pesquisa eleitoral mais recente e abrangente para o governo do Piauí, o levantamento AtlasIntel/Meio Norte também apontou a liderança isolada do atual governador Rafael Fonteles (PT), com 63,5% das intenções de voto, enquanto Joel Rodrigues (PP) registra 22,9%. Outros 5,6% afirmaram votar em branco ou nulo e 3,3% disseram não saber em quem votar. Nos votos válidos, Fonteles alcança 69,8%, contra 25,2% do adversário. Ex-prefeito de Floriano e presidente estadual do Progressistas, Joel Rodrigues firmou-se como o principal nome da oposição a partir de seu desempenho na disputa de 2022 ao Senado, quando enfrentou diretamente Wellington Dias e obteve votação expressiva, próxima de 900 mil votos. Sua candidatura ao governo nasce, portanto, menos de uma construção nacionalizada do bolsonarismo e mais da tentativa da oposição piauiense de converter uma liderança municipal-regional em alternativa estadual. Com ele, o Progressistas aposta em um perfil identificado com o interior, de trajetória administrativa em Floriano e com trânsito junto a prefeitos e lideranças locais.
A baixa penetração do bolsonarismo no Piauí também ajuda a compreender a resiliência do ciclo petista. Diferentemente de outras unidades da federação, nas quais o bolsonarismo encontrou terreno mais fértil em agendas de liberalização econômica, antipetismo, segurança pública e conservadorismo moral, no Piauí sua expansão foi limitada por uma estrutura política e social marcada pela centralidade do Estado. Trata-se de um estado em que a presença do poder público, por meio de transferências de renda, políticas sociais, investimentos, obras e serviços, além da mediação federativa, ocupa lugar decisivo no cotidiano e na organização das expectativas políticas. A gramática bolsonarista associada à crítica ao “Estado grande” encontrou menor aderência em um eleitorado historicamente vinculado a políticas de “mais Estado”.
O voto no Brasil não se explica apenas por preferências ideológicas abstratas, mas por bases sociais, valores, expectativas materiais e percepções concretas sobre a ação do poder público. No caso piauiense, essa disposição combina-se ao expressivo capital eleitoral de Lula, à capilaridade municipal do governismo e à incorporação de lideranças tradicionais e familiares ao bloco estadual. O bolsonarismo não deixou de existir no Piauí, portanto, mas não logrou converter-se em uma hegemonia: encontrou um sistema político local previamente ocupado por uma coalizão petista ampliada, capaz de articular lulismo, familismo político, máquinas municipais e políticas de presença estatal.
Rafael Fonteles e a nova fase do ciclo petista
Um dos principais erros de interpretação é analisar o governo de Rafael Fonteles apenas como uma continuidade dos governos de Wellington Dias. Embora ambos pertençam ao mesmo partido, eles representam momentos diferentes do PT piauiense.
Wellington Dias foi responsável pela chegada do partido ao governo estadual e pela construção de uma ampla base política em um contexto no qual o PT ainda disputava espaço com grupos tradicionais e com uma oposição organizada principalmente em torno do PSDB. Sua liderança esteve associada à expansão territorial do partido e à consolidação de políticas públicas que aproximaram o governo de diferentes setores da sociedade.
Eleito em 2022, Rafael Fonteles assume em outro contexto e apresenta um estilo próprio de gestão. Seu governo tem maior aproximação com uma lógica de administração pública baseada em planejamento, metas, inovação e acompanhamento de resultados, características historicamente associadas ao modelo gerencial defendido por setores do PSDB. Essa diferença mostra que a continuidade partidária não significa repetição da mesma forma de governar.
O modelo gerencial de Fonteles torna visível ainda outra dimensão: a construção discursiva da autoridade política. A gestão por indicadores não é apenas um modo de administrar, mas também uma estratégia de legitimação. Amplamente difundida por meio de números nas áreas de segurança, educação e modernização administrativa, a imagem do "gestor que entrega" constrói um capital simbólico difícil de contestar.
Esse deslocamento fortalece o governo no terreno em que ele é mais competitivo e empurra a oposição para o campo dos valores e da identidade. Nesse contexto, um discurso de autenticidade popular, como o de “devolver o Piauí aos piauienses”, tende a soar reativo quando não vem acompanhado de um projeto político alternativo para o Estado.
Os temas que mobilizam o debate público no Piauí não são inteiramente distintos daqueles observados no plano nacional. Segurança pública, saúde, educação, emprego e infraestrutura seguem como agendas centrais. Há, contudo, especificidades locais que organizam a competição estadual. A primeira é o debate sobre grandes projetos de desenvolvimento, como o Porto de Luís Correia, a agenda do hidrogênio verde e a tentativa de reposicionar o estado em cadeias econômicas ligadas à transição energética e à infraestrutura logística.
A segunda diz respeito à centralidade da tecnologia e da modernização administrativa, estreitamente associadas ao governo Rafael Fonteles, que constrói sua legitimidade em torno de inovação, planejamento, indicadores e entregas mensuráveis. A terceira incide sobre o estilo político-administrativo: parte da disputa atual contrapõe duas imagens: de um lado, uma gestão técnica, digitalizada e orientada por resultados; de outro, a demanda por maior proximidade popular, presença territorial e linguagem mais direta na comunicação com a população. É nesse ponto que a oposição procura explorar a ideia de um governo "menos povo", ao passo que o governismo apresenta a racionalização administrativa como forma contemporânea de eficiência estatal.
Embora os grandes temas sejam semelhantes aos do restante do país, no Piauí eles são filtrados por uma gramática local que combina desenvolvimento, obras estruturantes, tecnologia, presença do Estado e disputa simbólica sobre o modo de governar.
Esse é o limite mais profundo do campo oposicionista: ele ainda não construiu uma alternativa hegemônica. Até aqui, não conseguiu disputar de forma consistente o imaginário político do eleitorado, organizado em torno do desenvolvimento social, do combate à pobreza, da presença do Estado no interior e da referência a Lula (PT). A oposição perde menos por aritmética partidária do que por não oferecer outra visão de mundo suficientemente crível para substituir a ordem política vigente.
A força do interior e a fratura em Teresina
Essa hegemonia tem, ademais, uma base social e territorial. A capilaridade interiorana descrita acima dialoga com o que André Singer chamou de lulismo: não uma adesão puramente ideológica nem uma relação mecânica de troca eleitoral, mas uma identificação política produzida pela experiência concreta de inclusão, proteção social e reconhecimento estatal. No Piauí, esse vínculo assume especial relevância porque se inscreve em um espaço marcado por desigualdades históricas, pelo peso das pequenas cidades e pela centralidade do Estado na organização da vida econômica e social. O enraizamento do PT no interior não pode, assim, ser reduzido à recepção de políticas de transferência de renda: relaciona-se também à percepção de que os governos petistas ampliaram a presença pública em áreas historicamente desassistidas, percepção que entrelaça lulismo, interiorização de políticas públicas, expectativa de desenvolvimento e melhoria gradual das condições de vida.
Convém, porém, registrar uma fratura territorial que a continuidade estadual pode ocultar: em 2024, o PT perdeu Teresina. A vitória de Sílvio Mendes na corrida pela prefeitura, mesmo diante de um candidato petista apoiado pelo governador, por Wellington Dias e por Lula, mostra que a contestação se concentra na capital, mais urbana, escolarizada e crítica, enquanto o interior permanece como núcleo fiel do bloco governista. A clivagem capital–interior é, hoje, o principal vetor de desgaste de um predomínio que, no plano estadual, segue robusto.
Teresina tem o maior colégio eleitoral do estado, concentrando quase 600 mil eleitores, em um universo estadual superior a 2,7 milhões de pessoas aptas a votar em 2026, segundo dados do TRE-PI. Essa concentração confere à capital peso desproporcional na formação do resultado estadual: ainda que o interior reúna, de forma pulverizada, a maioria do eleitorado, Teresina funciona como principal espaço de visibilidade política, contestação pública e produção de opinião. Por isso, a derrota do PT na capital em 2024 não elimina a robustez do governismo no plano estadual, mas revela uma fratura relevante: o bloco petista conserva forte capilaridade nos municípios do interior, enquanto enfrenta na capital um eleitorado mais concentrado, urbano e competitivo, capaz de tensionar sua hegemonia e impor limites à narrativa de domínio político homogêneo.
A disputa pelo futuro do próprio governismo
Resta a dimensão prospectiva, e é nela que a “nova fase” representada por Rafael Fonteles revela seu reverso. A mesma circulação de elites que levou o PT ao poder, quando uma elite de origem sindical deslocou parcelas dos grupos tradicionais, opera hoje dentro do próprio bloco governista. A relação entre Wellington Dias e Rafael Fonteles expõe uma tensão geracional e sociológica entre a velha guarda petista, os mediadores políticos tradicionais e os quadros técnicos próximos ao governador.
O modelo gerencial fortalece Rafael diante do eleitorado, mas também reduz a centralidade de políticos profissionais acostumados à negociação e à partilha de espaços.
A teoria das elites adverte que nenhuma dominação permanece indefinidamente vital e que sua substituição pode nascer tanto de fora quanto de dentro. Aplicada ao Piauí, a lição sugere que a pergunta decisiva deixou de ser apenas se a oposição romperá a hegemonia petista em 2026. A questão mais relevante talvez seja qual elite, no interior do próprio campo governista, herdará seu comando nos ciclos seguintes. Ou, ainda, se uma eventual fratura interna poderá produzir, no futuro, uma nova oposição capaz de reunir grupos hoje dispersos.
Em síntese, a durabilidade do PT no Piauí combina avanços sociais, centralidade de Lula, engenharia coalizacional, incorporação de adversários, legitimação discursiva pela performance gerencial e controle sucessório. Sua força está na amplitude do bloco que construiu; sua fragilidade também. Quanto mais atores incorpora, mais interesses precisa acomodar. A eleição de 2026 testará não apenas a popularidade de Rafael Fonteles, mas a capacidade do ciclo petista de administrar as tensões internas produzidas por sua própria longevidade.
¹ Olívia Cristina Perez é professora de Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI), docente do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e do Doutorado em Políticas Públicas. Contato: oliviacristina889@gmail.com. Lattes: lattes.cnpq.br/0115776710902545.
² Sávia Barreto é é jornalista, mestra em Comunicação e doutoranda em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Contato: savia.barreto@hotmail.com. Lattes: lattes.cnpq.br/7576169571360870.
As análises e opiniões apresentadas neste texto são de responsabilidade exclusiva de seu(s) autor(es). O Núcleo de Estudos sobre Política Local (NEPOL/UFJF) reafirma seu compromisso institucional com a pluralidade de perspectivas e com a diversidade teórica e metodológica que orienta a produção científica na Ciência Política brasileira.



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